
ANTROPOLOGIA

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ETIMOLOGICAMENTE, o termo Antropologia (anthropus= homem; logo=estudo) significa o estudo do homem. Como cincia da humanidade, ela se preocupa em conhecer cientificamente
o ser humano na sua totalidade, o que lhe confere um trplice aspecto:

CINCIA SOCIAL - Prope conhecer o homem enquanto elemento integrante de grupos organizados.

CINCIA HUMANA - Volta-se especificamente para o homem como um todo: sua histria, suas crenas, usos e costumes, filosofia, linguagem, etc.

CINCIA NATURAL - Interessa-se pelo conhecimento psicossomtico do homem e sua evoluo.

O OBJETO DE ESTUDO DA ANTROPOLOGIA E O HOMEM E AS SUAS OBRAS.

ANTROPOLOGIA Divide-se em dois grandes campos de estudos, com objetivos definidos e interesses tericos prprios: Antropologia Fsica ou Biolgica e Antropologia 
Cultural.
A Antropologia Fsica ou Biolgica estuda a natureza fsica do homem, procurando conhecer suas origens e evoluo, sua estrutura anatmica, seus processos fisiolgicos 
e as caractersticas racionais das populaes humanas, antigas e modernas.

4.1 - Paleontologia Humana
         A Paleontologia(palaios=antigo;  onto=ser; logos=estudo ),  humana ou paleoantropologia estuda a origem e a evoluo humana atravs do conhecimento das 
formas fsseis do passado, intermedirias entre os primatas e o homem moderno.

4.2 - Somatologia
         A somatologia(somato=corpo humano; logos=estudo) descreve variedades existentes do homem, diferenas fsicas individuais e diferenas sexuais(tipo sanguineos, 
metabolismo basal, adaptao etc).

4.3 - Raciologia
 A raciologia(raa=etnia; logos=estudo) interessa-se pela histria racial do homem, preocupando-se com a classificao da espcie humana em raas, com a miscigenao(mistura 
de raas), caractersticas fsicas etc.

4.4 - Antropometria
     

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A antropometria(anthropus=homem; metria=medida) usa as tcnicas de medio, procedimento quantitativo que fornece medidas do corpo humano(crnio, ossos etc), elaboradas 
por instrumentos especiais. Entre eles o antropmetro, largamente utilizado.

4.5 - Estudos comparativo do crescimento
         Recentemente, os somatlogos ampliaram seu campo de estudo, no sentido de conhecer as diferenas grupais relacionadas aos ndices de crescimentos e a outros 
aspectos correlatos: alimentao, exerccios fsicos, maturidade sexual etc.

 A Antropologia Cultural campo mais amplo da cincia antropolgica, abrange o estudo do homem com ser cultural, isto , fazendo de cultura. Todas as sociedades humanas 
interessam ao antroplogo cultural. 

Campo de estudo abrange:

Arqueologia - trata-se da tentativa  da reconstruo do passado por meio da busca de vestgios e restos materiais no perecveis e resistentes  destruio atravs 
do tempo. Cabe ao arquelogo desenvolver tcnicas adequedas para o trabalho de escavao e coleta de material que devidamente interpretado, possibilitar a reconstruo 
dos fatos do passado. A Arqueologia (archaios, antigo; logos, estudo) tem como objetivo de estudo as culturas do passado, extintas, que, em pocas remotas, desenvolveram 
formas culturais, representando fases da humanidade no registradas em documentos escritos. 

Etnografia - o objetivo do estudo da Etnografia centra-se nas culturas simples, conhecidas como "primitivas" ou grafas. So as chamadas sociedades de linhagem e 
segmentrias. KSo grupos humanos que se ope s sociedades complexas ou civilizadas,. Tambm estas podem construir-se em foco de ateno do etngrafo, como, por 
exemplo, o interesse no estudo de sociedades rurais. Enfatiza as inter-relaes de homem e meio-ambiente, indivduo e cultura. Etnografia (ethnos, povo; graphein, 
escrever) consiste em um dos ramos da cincias da cultura que se preocupa com a descrio das sociedades humanas.
ra, na tentativa de compreender a operosidade e mudana das mesmas. 

Lingstica -  A linguagem  um meio de comunicao e tambm um instrumento de pensamento. Estuda os elementos constitutivos da linguagem articulada e das formas 
diversas que assumem ou podem assumir esses elementos;  o estudo da fontica e da estrutura das lngua.    um dos ramos da Antropologia Cultural que se preocupa 
com a diversidade de lnguas e a variedades de culturas, cada uma delas com suas formas e estruturas bsicas definidas procurando conhecer a linguagem  como meio 
de comunicao e instrumento do pensamento .

Folclore - Preocupa-se com os fatos da cultura material e espiritual que,originados espontaneamente, permancem no seio do povo, tendo determinada funo.  um dos 
campos de investigao da Antropologia cultural, definindo-se como o estudo da cultura espontnea dos 
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grupos humanos rurais ou urbanizados.  uma cincia scio antropolgica, uma vez que se dedica ao estudo de determinados aspectos da cultura humana. 

 ANTROPOLOGIA SOCIAL
 Estuda os processos culturais e da estrutura social, seu interesse est centrado na sociedade e nas instituies. O antroplogo social  aquele que, levando em 
conta as diferenas existentes entre grupos humanos, preocupa-se em conhecer as relaes sociais que as regem. Cada aspecto da vida social - o familiar, o econmico, 
o poltico, o religioso, o jurdico - s pede ser compreendido, se estudado em relao aos demais, como parte de um conjunto integrado. A antropologia embora autnoma, 
relaciona-se com outras cincias, trocando experincias e conhecimentos.  so  a sociologia, histria, psicologia, geografia, economia, e cincia poltica. At o 
sculo XVIII a antropologia pouco se desenvolveu.  partir de ento comea a adquirir forma de cincia quando houve  a  classificao dos animais e o homem foi  
relacionado como primata. quem fez esta classificao foi o naturalista sueco Linneu(1758), foi o primeiro  a fazer uma classificao de raa.

A ANTROPOLOGIA SISTEMATIZA-SE APS DARAWIN TER TRAZIDO  LUZ A TEORIA EVOLUCIONISTA, COM A PUBLICAO DA OBRA AS ORIGENS DAS ESPCIES (1859) E A DESCENDNCIA DO 
HOMEM(1871).  A ANTROPOLOGIA  UMA CINCIA PERFEITAMENTE CARACTERIZADA E COM SEUS CAMPOS DE AO BEM DEFINIDOS.  

CALDERON CLASSIFICOU O MTODO ANTROPOLGICO COMO:

MTODO - "Um conjunto de regras teis para a investigao,  um procedimento cuidadosamente elaborado, visando provocar respostas na natureza e na sociedade e, paulatinamente, 
descobrir sua lgica e leis e leis."
 TCNIA - Consiste na habilidade em usar um conjunto de normas para o levantamento de dados.

OS MTODOS USADOS PELA ANTROPOLOGIA SO:

a ) Histrico - Consiste em investigar eventos do passado a fim de compreender os modos de vida do presente, que s podem ser explicados a partir da reconstruo 
da cultura e da observao das mudanas ocorridas ao longo do tempo. Nessa anlise histrica, a cultura do homem  desvendada.

b) Estatstico - Mtodo muito empregado tanto no campo biolgico, verificando as variabilidades das populaes, quanto no campo cultural, levantando diversificaes 
dos aspectos culturais. Os dados, depois de coletados, so reduzidos a termos quantitativos, demonstrados em tabelas, grficos, quadros, etc. Dessa maneira, pode-se 
verificar a natureza, a ocorrncia e o significado dos fenmenos e das relaes entre eles, tanto de natureza biolgica quanto cultural.
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c) Etnogrfico -Refere-se  anlise descritiva das sociedades humanas, principalmente das primitivas ou grafas e de pequena escala. Mesmo o estudo descritivo requer 
alguma generalizao e comparao, implcita ou explcita. Refere-se a aspectos culturais. Consiste no levantamento de todos os dados possveis sobre sociedades 
grafas ou rurais e na sua descrio, com a finalidade de conhecer melhor o estilo de vida ou cultura especfica de determinados grupos.

d) Comparativo ou Etnolgico - Mtodo amplamente utilizado tanto pelos antroplogos fsicos quanto pelos naturais. O mtodo comparativo permite verificar diferenas 
e semelhanas apresentadas pelo material coletado.

          A Antropologia Fsica compara aspectos fsicos, populaes extintas, atravs dos fsseis ou grupos humanos existentes, analisando caractersticas anatmicas: 
cor da pele, do cabelo, dos olhos, ndice ceflico, textura dos cabelos, grossura dos lbios etc.
           O mtodo comparativo, utilizado pelo antroplogo cultural,  tambm chamado mtodo etnolgico, compara padres, costumes, estilos de vida, culturas do 
passado e do presente, grafas ou letradas. Verifica diferenas e semelhanas a fim de obter melhor compreenso desses grupos.

.e) Monogrfico ou Estudo de Caso - Etngrafo estuda, em profundidade caso ou grupo humano, sob todos os seus aspectos. Este Mtodo permite a anlise de instituies, 
de processos culturais e de todos os setores da cultura. Os grupos isolados esto a exigir pesquisas, antes que desapaream com cultura, pelos contatos ou pela dizimao.

f) Genealgico - Mtodo da Antropologia Cultural que permite o estudo do parentesco com todas as suas implicaes sociais: estrutura familiar, relacionamento de 
marido e mulher, pais e filhos e demais parentes; informaes sobre o cotidiano, a vida cerimonial (nascimento, casamento, morte) etc. A travs do levantamento genealgico, 
o pesquisador ter no apenas a confirmao dos dados j observados, mas tambm novas informaes podero vir  luz.  necessria a presena de um informante que 
revele os nomes das pessoas, a filiao clnica, sua posio dentro da estrutura social, o relacionamento entre as pessoas, indivduos ausentes ou j falecidos.

g) Funcionalista - Refere-se ao estudo das culturas sob o ponto de vista da funo, ou seja, ressalta a funcionalidade de cada unidade da cultura no contexto cultural 
global. Uma caracterstica da abordagem funcional  descobrir as conexes existentes em um cultura e saber como funciona.

NO CAMPO BIOLGICO SO UTILIZADOS TCNICAS CLSSICAS DA  ANTROPOLOGIA FSICA COMO MENSURAO, DATAO. 
 EXISTE OUTRAS TCNICAS UTILIZADAS AOBSERVAO, ENTREVISTA E FORMULRIO.
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O conceito de relativismo cultural   um princpio que permite ao observador ter uma viso objetiva das culturas, cujos padres e valores so tidos como prprios 
e convenientes aos seus integrantes, dentro do conceito de relativismo  cultural  os princpios humanitrios respeitados pelos antroplogos, mesmo contrariando a 
muitos so os direito   autonomia tribal, valores culturais e etnocentrismo.

O PAPEL DA ANTROPOLOGIA APLICADA
Empenha-se na soluo dessas situaes, procurando minimizar os desequilbrios e tenses  culturais e tentando fazer com que as culturas atingidas sejam menos molestadas 
e seus padres  e valores respeitados.
a) Aplica conhecimentos antropolgicos, fsicos e culturais na busca de solues para os modernos problemas sociais, polticos e econmicos, dos grupos simples e 
das sociedades civilizadas.

OS ANTROPLOGOS TEM SIDO CHAMADOS PARA ATUAR EM PROJETOS DE DESENVOLVIMENTOS, EM VRIAS PARTES DO MUNDO. OS RGOS INTERNACIONAIS QUE DEPENDEM DESSES PROJETOS  
A ONU , A UNESCO ETC.

A cultura constitui-se para os antroplogos o conceito bsico e central da sua cincia.  desde o final do sculo passado os antroplogos vm elaborando inmeros 
conceitos sobre cultura, Apesar  da cifra ter ultrapassado 160  definies, ainda no chegaram a um consenso sobre o significado  exato  do termo. Para alguns, cultura 
 comportamento aprendido; para outros, no  comportamento, mas abstrao do comportamento; e para um terceiro grupo, a cultura consiste em idias. H os que consideram 
como cultura apenas os objetos imateriais, enquanto que outros, ao contrrio, aquilo que se refere ao material. Mas tambm encontra-se estudiosos que entendem por 
cultura tanto as coisas materiais quanto as no-materiais.

Edward  B. Tylor - foi o primeiro a formular um conceito de cultura, em sua obra Cultura Primitiva. Ele props: "Cultura..... aquele todo complexo que inclui o 
conhecimento, as crenas, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hbitos e aptides  adquiridos pelo homem como membro  da sociedade"             
(In Kahan, 1975:29). O conceito de Tylor, que engloba todas as coisas e acontecimento relativos ao homem, predominou no campo da antropologia durante vrias dcadas.

 Ralph Linton - (1936), a cultura de qualquer sociedade "consiste na soma total de idias, reaes emocionais condicionadas a padres de comportamento habitual que 
seus membros adquiriram por meio da instruo ou imitao e de que todos, em maior ou menor grau, participam " (1965: 3l6). Este autor atribui dois sentidos ao termo 
cultura: um, geral, significando "a herana  social total da humanidade " ; outro, especfico, referindo-se a "uma determinada variante da herana social ". 

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Frans Boas (1938 ) - define cultura como "a totalidade das reaes  e atividades mentais e fsicas que caracterizam o comportamento dos indivduos que compe um 
grupo social.

Malinowski (l944), em uma teoria cientfica da cultura, conceitua cultura como "o todo global consistente de implementos e bens de consumo, de cartas constitucionais 
para os vrios agrupamentos sociais, de idias e ofcios humanos, de crenas e costumes(1942:43).

AS COISAS E ACONTECIMENTOS SEGUNDO LESLIC A .WHITE, ENCONTRA-SE NO TEMPO E NO ESPAO. 

So classificadas em:
a) Intra-Orgnica - dentro de organismo humanos(conceitos, crenas, emoes atitudes);  b) intergnica - dentro dos processos de interao social entre os seres 
humanos;  c) extra-orgnica - dentro de objetos materiais(machados, fbricas, ferrovias, vasos de cermica) situados fora de organismo humanos, mas dentro dos padres 
de interao social entre eles  Para os antroplogos a essncia da cultura est nas idias, nas abstraes e comportamento
 
 IDIAS - so concepes mentais de coisas concretas ou abstratas, ou seja, toda variedade de conhecimentos e crenas teolgicas, filosficas, cientficas, tecnolgicas 
histricas etc..

 ABSTRAES  -  consiste naquilo que se encontra apenas no domnio das idias, da mente, excluindo-se totalmente as coisas materiais. Vrios autores afirmam que 
a cultura  uma abstrao ou consiste em abstraes, ou seja, coisas e acontecimentos no observveis, no palpveis, no tocveis.
       
 COMPORTAMENTO - so modos de agir comuns a grupos humanos ou conjuntos de atitudes e reaes dos indivduos face ao meio social.
A cultura pode ser classificada de diversas maneiras: material ou imaterial(no material, espiritual), real ou ideal. Os componentes da cultura so: Conhecimento, 
Crena, Valores, Normas e Smbolos.So considerados pelos antroplogos os menores elementos  que permitem a descrio da cultura. Refere-se, portanto,  menor unidade 
ou componente significativo da cultura, que pode ser isolado no comportamento cultural. Embora os traos sejam constitudos de parte menores, os  itens, estes no 
tm valor por si ss.

O COMPLEXOS CULTURAIS
Consiste no conjunto de traos ou num grupo de traos associados, formando um todo funcional; ou ainda um grupo de caractersticas culturais interligadas, encontrado 
em um rea cultural. O complexo cultura  constitudo, portanto, de um sistema interligado, interdependente e harmnico, organizado em torno de um foco de interesse 
central. Configurao cultural consiste na integrao dos diferentes traos  e complexos de um cultura, com seus valores objetos mais ou 

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menos coerentes, que lhe do unidade. Foi introduzida na antropologia moderna por RUTH BENEDICT.

REAS CULTURAIS .
So territrios geogrficos onde as culturas se assemelham. Os traos se complexos culturais mais significativos esto difundidos, resultando um modo peculiar e 
caracterstico de sues grupos constituintes.  A rea cultural refere-se a um territrio relativamente pequeno face ao da sociedade global, no qual os indivduos 
compartilham os mesmos padres de comportamento.

SUBCULTURA
O termo sub-cultura, em geral, significa alguma variao da cultura total. Para Ralph Linton, a cultura  um agregado de sub-culturas.  A sub-cultura pode ser considerada 
como um meio peculiar de vida de um grupo menor dentro de uma sociedade maior, Embora os padres da sub-cultura apresentem algumas divergncias em relao  cultura 
central ou  outra sub-cultura, mantm-se coesos entre si.

PECULARIDADE INDIVIDUAL
As secularidades  ficam alm dos limites da cultura e constituem as caractersticas pessoais do indivduo. Embora adquiridas por meio de condicionamentos diversos, 
no so compartilhadas por outrem. 

A cultura significa o modo de vida de um povo e manifesta-se nos seus atos e artefatos. partindo disto a cultura  social, seletiva, explcita e implcita. 

 Cultura Social -  criada, aprendida e acumulada pelos membros do grupo e transmitida socialmente de uma gerao  a outra e perpetuada em sua forma original ou 
modificada.  Os indivduos aprendem a cultura ou os aspectos da cultura no transcurso de sua vidas. Dos grupos em que nascem ou convivem. Dessa maneira, ela  compartilhada 
por todos.  A cultura  dinmica e contnua, em virtude de estar constantemente se modificando, face aos contatos com outros grupos ou com suas prprias descobertas 
e invenes, ampliando, dessa maneira, o acervo cultural de gerao em gerao. Varia ,portanto, no tempo e no espao.

       Cultura Seletiva - As sociedades, ao construrem suas culturas atravs dos tempos, nem sempre incluem todos os padres comportamentais dominantes de outras 
culturas, por vrias razes:  
1 -  por estarem latentes nas sociedades anteriores;
2 -  para no perturbar a ordem estabelecida;
3 -  por serem, muitas vezes, contraditrias  ou conflitantes com os seus.

A seleo nem sempre ocorre por acaso;  feita levando-se em considerao certos postulados bsicos a respeito no s do homem como do mundo que o cerca. A seleo 
pode ser consciente e desejada, mas a adoo de alguns padres ou valores se faz de forma inconsciente.

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    Cultura Explcita ou Manifesta - A cultura explcita ou manifesta, tambm designada aberta,  aquela que pode ser exteriorizada por meio de aes e movimentos. 
Os padres normativos tendem  a ser francos, objetivos e conscientes. A cultura manifesta inclui hbitos, comportamentos, aptides, prticas religiosas, normas em 
geral.

Cultural Implcita ou no manifesta -   aquela que se encontra no ntimo das pessoas .  subjetiva, oculta, inconsciente ou dissimulada, portanto perceptvel somente 
pelo observador. Deve ser analisada minuciosamente atravs de normas manifestas que os incluem  ou expressam.. A cultura no manifesta de uma sociedade, muitas vezes, 
no pode ser percebida nem pelos seus prprios membros, por no fazerem  parte de sua vida cotidiana. Incluem valores, crenas, idias conhecimentos.

MUDANA CULTURAL
 qualquer alterao na cultura, sejam traos, complexos, padres ou toda um cultura, o que  mais raro. Pode ocorrer com maior ou menor facilidade, dependendo do 
grau de resistncia ou aceitao. 

ACULTURAO .
 a fuso de duas culturas diferentes que entrando em contato contnuo originam mudanas nos padres da cultura de ambos os grupos. Podem abranger numeroso traos 
culturais, apesar de, na troca  recproca entre as duas culturas, um grupo dar mais e receber menos. Dos contatos ntimos e contnuos entre culturas e sociedades 
diferentes resulta um intercmbio  de elementos culturais. Com o passar do tempo, essas culturas fundem-se para formar um sociedade e um cultura nova.. 

SINCRETISMO
Em religio, seria a fuso de dois elementos culturais anlogos(crenas e prticas), de culturas distintas ou no. Em linguagem, consiste no uso de uma forma gramatical 
particular a fim de realar as funes de outra ou de outras, alm sua.

A NATUREZA MORAL DO HOMEM SEGUNDO A CINCIA E A BBLIA
Segundo Hoebel e Frost, afirmam que "para compreender  a cultura humana deve-se  conhecer as fases pelas quais a humanidade se transformou, do antropide dominado 
pelo instinto ao ser humano adaptvel culturalmente. Desde o tempo das origens primitivas da cultura, todo desenvolvimento humano foi biolgico e cultural. Nenhuma 
tentativa de estudar  a humanidade pode ignorar este fato".  Ao fazerem essas consideraes, os autores desenvolveram a idia da evoluo cultural e consequentemente 
das inter-relaes entre os antepassados fsseis homizios e suas produes culturais. Em concordncia com as proposies acima, deve-se reconhecer que o estudo do 
passado cultural do homem requer, para a sua mais fcil compreenso, que se conhea as diversas fases adaptativas homem-meio. O homem atravs dos processos adaptativos, 
sofreu transformaes  que o levaram de um primata desenvolvido ao homem moderno. Abrange os estgios atravs dos quais o homem evoluiu tanto fsica quanto culturalmente. 
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DESENVOLVIMENTO BIOLGICO DO HOMEM
A  partir  de transformaes  psicossomticas bsicas, a evoluo homnida foi gradativa e contnua, levando a modificaes necessrias para o aperfeioamento do 
gnero Homo em relao ao meio. Como produto final, mas no acabado dessa evolutiva, sobreviveu apenas uma espcie e uma variedade denominada "sapiens", da qual 
o homem moderno  o atual representante.
        
DESENVOLVIMENTO CULTURAL DO HOMEM
O  desenvolvimento cultural do homem  uma realidade atestada pelos resto arqueolgicos, ou seja, pela presena de artefatos rudimentares manufaturados. As condies 
distintivas para a humanizao seriam  a fabricao de instrumentos, resultado da transformao intencional e no acidental da matria-prima(pedra, osso, madeira) 
em utenslios. O desenvolvimento cultural do homem acha-se intimamente associado  sua evoluo psicobiolgica,  o que lhe permitiu conquistas, cada vez mais aperfeioadas 
e complexas, no mundo cultural. O homem torna-se  ento um ser cultural, capaz de produzir, ou seja, capaz de acumular experincias e principalmente de transmiti-las 
socialmente. Desenvolve padres de comportamento grupal, hbitos e costumes diferentes, sempre renovados, que foram de fundamental importncia para sua sobrevivncia. 
Segundo a cincia, a parte moral do homem  a capacidade para partilhar das suas experincias adquiridas atravs do seu desenvolvimento tanto biolgico como cultural 
pelos seus semelhantes.  


" O HOMEM A IMAGEM E SEMELHANA DE DEUS"
A Bblia ensina claramente a doutrina de uma criao especial, que significa que Deus fez cada criatura "segundo a sua espcie". Ele criou as vrias espcies e ento 
as deixou  para que se desenvolvessem e progredissem segundo as leis do seu ser.  A distino entre o homem e as criaturas inferiores implica a declarao de que 
"Deus criou o homem  sua imagem".                     

A ANTROPOLOGIA  ESTUDAS AS TEORIAS DA RELIGIO E AS CLASSIFICAS COMO:

  Mito Natural(sobrenatural) - criada por Mller, cronologicamente, a primeira a ser anunciada. Sustenta que o homem primitivo possua uma tendncia para personificar 
e venerar fenmenos naturais: sol, lua, estrelas, rios estaes do ano, aurora, raio, trovo, chuva e etc. O homem no teria criado a religio, mas a beleza e a 
magnitude dos fenmenos da natureza despertaram nele sentimentos em relao ao infinito,  crena em divindades com poderes de dirigir a natureza. A gnese da crena 
seria o medo do sobrenatural.

Animismo(alma) - desenvolvida por Tylor, significa a crena em seres espirituais ou espritos pessoais  que animam a natureza. A necessidade de compreender sonhos, 
alucinaes, sono vida, morte levou o homem  a acreditar na existncia de um "eu " com propriedades espirituais e dotado de poderes sobrenaturais. Esses seres, essencialmente 
etreos, so conhecidos como 
        
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almas, fantasmas, assombraes, espritos de plantas e de animais, gnios , espectros, fadas, demnios, anjos, deuses etc. Transcendem a matria.  A base do animismo 
 o conceito de alma que, embora intangvel, significa a fora  vital que anima o corpo. Quando o homem dorme, a alma vagueia; quando ela no volta, ele morre. No 
s os homens, mas tambm os animais, vegetais e at objetos inanimados so dotados de alma.  Para Tylor, o animismo, "em seu pleno desenvolvimento, abrange a crena 
nas almas e num estado futuro, o controle de divindades e de espritos subordinados, resultando praticamente dessas  doutrinas um gnero de adorao ativa".

Animatismo(mana, poder) - Marret e outros entenderam que havia crenas na existncia de um poder impessoal ou "fora espiritual ", no oriunda de qualquer forma 
de ser, Essas foras (semelhantes ao mana dos povos da Oceania) so atributos  essenciais de objetos vegetais, animais e de pessoas, e conferem-lhes capacidade e 
propriedade superiores aos demais de sua espcie. No consiste em uma fora  vital e nem em obra dos espritos, mas no poder de fazer coisas excepcionais, incomuns. 
O  mana transcende o natural, est acima do mbito das coisas ordinrias, comuns. , portanto, sobrenatural.

Manismo (manes, esprito dos mortos) - para Spencer, o culto aos mortos (fantasma, sombras) e a venerao de seus espritos  que deram origem  religio.

Magia - Fazer entendeu que o homem, no sendo capaz de controlar de modo mgico o mundo ao seu redor, acreditou na existncia de foras  desconhecidas, com poderes 
acima dos seus. Atravs do culto, aproximou-se delas. 

Totemismo (totem) - Frazer, Goldenweiser e outros interpretaram o totemismo como a adorao da natureza. Eram atribudos, aos animais, plantas e objetos, qualidades 
espirituais, A crena de que alguns grupos descende de um antepassado comum -  animal, vegetal ou mineral  - deu origem a uma atitude de reverncia para com seus 
representantes. 
Tylor e outros no concordaram com a existncia de um totem individual, uma vez que este pode Ter funes diversas nas diferentes culturas. No  totemismo, o animal 
totem(vaca, canguru etc), muito raramente pode ser sacrificado ou comido(Austrlia). Geralmente, recebe tratamento semelhante ao de qualquer membro da tribo

.
SEGUNDO KEESING (1961-494)  AS FUNES DA RELIGIO E EXPLANATRIA E INTERPRETATIVA.
CRENAS E RITUAIS
So dois elementos constitutivos da religio, somente a crena no basta para formar uma religio, deve estar associada  prtica.

Profano - significa o cotidiano, o natural, o comum; implica atitude de aceitao, familiaridade, do conhecido.


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F - consiste em um sentimento de respeito, submisso, reverncia, confiana e at de medo em relao ao sobrenatural, ao desconhecido. No supe compreenso. Pode-se 
dizer que  o desejo de aceitar qualquer coisa, provocada por algo misterioso, mas sem demonstrao ou prova tangvel. Seria a aceitao voluntria de uma ordem 
de coisas que no pode ser provada pela lgica ou pelos sentidos. O indivduo reconhece e aceita a superioridade do sobrenatural.

ENDOCULTURAO
"  o processo de "aprendizagem e educao em uma cultura desde a infncia ".

A  Cultura, para os antroplogos em geral, constitui-se no "conceito bsico e central de sua cincia", afirma Leslie  White. O termo cultura (colere, cultivar ou 
instruir;  cultus , cultivo, instruo ) no se restringe ao campo da antropologia. Vrias reas do saber humano - agronomia, biologia, artes, literatura, histria 
etc. - valem-se dele, embora seja outra a conotao. Muitas vezes, a palavra cultura  empregada para indicar o desenvolvimento do indivduo por meio da educao, 
da  instruo. Nesse caso, uma pessoa "culta" seria aquela  que  adquiriu domnio no campo  intelectual ou artstico. Seria "inculta " a que no obteve instruo. 
Os antroplogos no empregam os termos culto ou inculto, de uso popular, e nem fazem juzo de valor sobre  esta ou aquela cultura, pois no consideram uma superior 
 outra. Ela apenas so diferentes a nvel de tecnologia ou integrao  de seus elementos. Todas as sociedades - rurais ou urbanas, simples ou complexas - possuem 
cultura. No h  indivduo humano desprovido de cultura exceto  o recm nascido e o homo ferus; um, porque ainda no sofreu o processo de em do cultura, e o outro, 
porque foi privado do convvio humano. Para os antroplogos, a cultura tem significado amplo: engloba os modos comuns e aprendidos da vida, transmitidos pelos indivduos 
e grupos, em sociedade. O processo de aprendizagem e educao em uma cultura desde a infncia  chamada de endoculturao . Pois o processo de "aprendizagem e educao 
em uma cultura desde a infncia"  chamada endoculturao tanto por Felix Keesing quanto por Hoebel e Frost. Herskovits emprega o termo endoculturao para conceituar 
a mesma coisa, significando, alm disso, o processo que estrutura o condicionamento da conduta, dando estabilidade  cultura. Cada indivduo adquire as crenas, 
o comportamento, os modos de vida da sociedade a que pertence. Ningum aprende, todavia, toda cultura, mas est condicionado a certos aspectos particulares da transmisso 
do seu grupo. As sociedades no permitem que seus membros sejam de forma diferenciada. Todos os atos, comportamentos e atitudes de seus membros so controlados por 
ela.

        Entre as muitas cincias que tm por objeto o ser humano, a antropologia - "cincia do homem", segundo a etimologia -   o estudo do ponto de  vista das 
caractersticas biolgicas e culturais dos diversos grupos em que se distribui o gnero humano,  pesquisando com especial interesse exatamente as diferenas.
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     O nascimento da antropologia como cincia ocorreu a partir dos grandes descobrimentos realizados por navegadores e viajantes europeus. A curiosidade de conhecer 
povos exticos, de saber como viviam e pensavam homens de culturas to distantes da europia, de  descobrir que aspecto fsico e que costumes tinham, levou  classificao 
e ao estudo dos dados recolhidos in loco - isto , no lugar de origem - por exploradores comerciantes e missionrios chegados quelas terras longnquas.
        Os primeiros antroplogos tinham como caracterstica comum a distncia do objeto de seu estudo, o qual consistia sempre em homens pertencentes a culturas 
distintas  da europia e dela geograficamente afastadas. A moderna antropologia, no entanto, estende sua pesquisa s sociedades  industriais e at mesmo s grandes 
concentraes urbanas. Mas seus instrumentos de trabalho se foram aos poucos delineando justamente no estudo das sociedades "primitivas"' mais simples que o das 
sociedades modernas.
        Com freqncia, os antroplogos do sculo XIX relacionavam as caractersticas biolgicas dos povos com suas formas culturais. Mais tarde, estabeleceu-se 
que os traos biolgicos e os culturais tinham menos ligao entre si do que se acreditara. Isso levou a uma primeira subdiviso das cincias antropolgicas em antropologia 
fsica cultural, esta ltima comumente assimilada ao conceito de etnologia.
        Desde a segunda metade do sculo XIX a antropologia cultural comeou a ser considerada uma cincia humana, com as limitaes e ambigidades prprias dessa 
categoria cientfica, enquanto a antropologia fsica continuou desenvolvendo seus mtodos de trabalho - medio e 
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estabelecimento de correlaes entre as medidas encontradas - como uma cincia natural. Hoje os dois campos esto totalmente diferenciados e poucos so os pesquisadores 
que trabalham ao mesmo tempo em ambos.
        Relaes com outras cincia.  Duas disciplinas muito relacionadas com a antropologia so a arqueologia pr-histrica e a lingstica. A arqueologia, necessria 
para conhecer o passado das sociedades, pode  esclarecer em grande escala seu presente. A terminologia arqueolgica, anterior  da antropologia, proporcionou a esta 
ltima muitos vocbulos teis. Por outro lado, a prpria antropologia  til  arqueologia, na medida em que estuda ao vivo sociedades muitas vezes semelhantes - 
por exemplo, no desconhecimento dos metais - a outras j desaparecidas, sobre as quais pode lanar abundante luz.
        Tambm a lingstica  de grande importncia para a antropologia, no s porque o conhecimento do idioma se faz necessrio ao antroplogo  nas pesquisas 
de campo, isto , feitas no local de origem, mas tambm porque muitos conceitos elaborados pelos lingistas so fundamentais para a anlise de determinados aspectos 
das sociedades: por exemplo, a concepo da  sociedade como uma rede de comunicao, a anlise estrutural ou a forma em que se organiza a experincia vital do sujeito 
de uma comunidade em estudo.
        A sociologia, por sua vez, pode at certo ponto ser considerada uma "irm gmea" da antropologia. Em princpio, o que distinge as duas cincias  o objeto 
de seu interesse: enquanto o socilogo se dedica ao estudo das sociedades modernas, o antroplogo comumente pesquisa as sociedades primitivas, embora o estudo das 
sociedades coloniais e de seu rpido processo de aculturao e modernizao social tenha desenvolvido um campo intermedirio no qual fica 
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difcil estabelecer os limites entre o trabalho sociolgico e o trabalho antropolgico. Nesse terreno intermedirio surgiu a chamada antropologia social.
        O desenvolvimento da psicologia permitiu  antropologia cultural utilizar novas bases para o estudo da relao entre o indivduo e a sociedade em que vive, 
da formao da personalidade e de outros aspectos que interessam igualmente s duas cincias. A psicanlise, em particular, impulsionou o desenvolvimento do conceito 
de cultura a partir de novas bases.
        A histria proporcionou aos antroplogos muitos dados impossveis de obter pela observao direta, assim como a antropologia ps  disposio dos historiadores 
novos mtodos de trabalho, como os que se  aplicam  anlise da tradio oral.

        Quanto  geografia humana, coincide com a antropologia na importncia que atribuiu aos diferentes usos do espao por parte do homem,  transformao do habitat 
natural etc. Ambas as cincias esto, alm disso relacionadas com a ecologia humana. No  de estranhar que muitos dos primeiros antroplogos tenham vindo do campo 
da geografia.
        Evoluo histrica e escolas - A antropologia comeou a desenvolver-se especificamente como cincia na segunda metade do sculo XIX, num momento histrico 
em que as colees etimolgicas, antes meras curiosidades de particulares, passavam a constituir verdadeiros museus, e em que os conhecimentos da cultura europia 
sobre outros povos comeavam a ser  sintetizados e submetidos a revises metdicas.
        O aparecimento do darwinismo, com o debate  sobre a origem do homem, suscitou o incio do estudo comparativo das diversas lnguas; esse fator e o interesse 
em conhecer a histria de 
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outras culturas distanciadas da europia fizeram convergir os esforos dos pesquisadores, at que se aglutinassem numa s cincia - a antropologia - as descobertas, 
os procedimentos, os mtodos e os achados de muitas outras que,  sob ngulos diversos, empreenderam o estudo das  sociedades humanas.
        Ao longo de duas dcadas, entre 1840 e 1860, apareceram sucessivamente as sociedades antropolgicas de Londres, dos estados Unidos e de paris, as quais agrupavam 
peritos oriundos de variados campos - zoologia, fisiologia, geografia, geologia, lingstica e outras cincias -. Unidos no interesse comum pelo estudo do homem. 
Antropologia cultural
        Evolucionismo cultural. Na poca histrica de seu aparecimento como cincia, a antropologia sofreu a influncia da idia dominante no mundo cientfico: o 
evolucionismo, consagrado pela publicao de A origem das espcies,  de Charles Darwin, em 1859. Por isso na segunda metade do sculo XIX, a nascente cincia  concebeu 
os diferentes grupos humanos como sujeitos em desenvolvimento. As distintas sociedades evoluiriam todas na mesma direo, passando por etapas e fases de desenvolvimento 
e diferenciao cultural inevitveis e escalonadas, seguindo uma transformao que  levaria do simples ao complexo, do homogneo ao heterogneo, do irracional ao 
racional. Para os antroplogos evolucionistas, todos os grupos humanos teriam que atravessar necessariamente as mesmas etapas de desenvolvimento, e as diferenas 
que podem ser observadas entre as sociedades contemporneas seriam apenas defasagens temporais, conseqncia dos ritmos diversos de evoluo.
        Embora hoje em dia estejam muito superadas as principais teses evolucionistas,  considervel a maneira pela qual continuam influenciando a linguagem vulgar 
e o prprio vocabulrio especializado da antropologia. Assim, s vezes fica difcil ao especialista descrever 
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fenmenos antropolgicos sem ter que recorrer a vocbulos viciados pelo contedo evolucionista que os impregnou durante muitos anos.. Nesse sentido, a utilizao 
de conceitos como "sociedades primitivas", "civilizaes evoludas" etc. pressupe uma aceitao implcita de seu fundo ideolgico evolucionista. Para evitar confuses, 
muitos antroplogos falam hoje de "sociedade de tecnologia simples"'  ou "sociedades de pequena escala"' em oposio a "sociedade de tecnologia complexa" ou "sociedade 
de tecnologia complexa" ou "sociedade industriais".
        Os mais influentes antroplogos evolucionistas foram o americano Lewis Henry Morgan e o ingls Edward B. Tylor. Morgan publicou em 1877 seu estudo  Ancient 
Society (A sociedade primitiva),  no qual distinguia trs etapas por que passaram, ou passaro, todas as sociedades humanas: selvajaria, barbrie e civilizao numa 
seqncia obrigatria de progresso. De igual forma, estabeleceu vrios estgios sucessivos para a formao da famlia, os quais desde a promiscuidade primitiva  
famlia bilateral moderna de tipo europeu.
        Tylor, por sua vez, realizou estudos comparativos das manifestaes religiosas das diferentes sociedades humanas, acreditando, depois disso, poder estabelecer 
trs etapas na evoluo da ideologia religiosa dos povos: animismo, politesmo e monotesmo. Embora as teses de Tylor tenham sido amplamente criticadas, suas concepes 
sobre a evoluo das religies continuam presentes na linguagem vulgar.
        O evolucionismo materialista de Morgan influenciou consideravelmente as primeiras abordagens  marxistas da antropologia. Em particular, foi o caso de Friedrich 
Engels, que 

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escreveu A origem da famlia, da propriedade privada e do estado baseando-se claramente na leitura de Ancient Society.
        A escola evolucionista mostrou-se consideravelmente carregada de preconceitos etnocntricos, o que levou seus representantes a considerarem a sociedade europia 
como a mais evoluda e a acreditarem que todas as outras tenderiam a alcanar a mesma perfeio. Se for levado em conta, alm disso, que sem sempre se dispunham 
de conceitos suficientemente diferenciados sobre sociedade e raa, compreende-se que a inteno de encaixar as sociedades - e as raas - num quadro evolutivo gerasse 
concluses precipitadas e errneas. No entanto, em defesa da escola evolucionria  preciso lembrar que a antropologia era ento uma cincia quase inexistente, cujo 
desenvolvimento muito se beneficiou dos estudos e esforos dos adeptos dessa escola. Quando tais teses comearam a ser abandonadas pela maioria dos antroplogos, 
os mtodos e procedimentos da nova cincia j estavam encaminhados e ela comeava a dar seus frutos.
        Difusionismo. Nos ltimos anos do sculo XIX e nas duas primeiras dcadas do sculo XX, os estudos antropolgicos foram influenciados por uma tendncia oposta 
ao evolucionismo: o difusionismo cultural. Os autores difusionistas estabeleceram a premissa de  que as diferenas observveis entre sociedades  distintas so irredutveis 
a simples defasagens numa mesma trilha cultural, paralela i independente. A mudana e o progresso culturais se deviam, isto sim, ao fato de algumas sociedades se 
apropriarem de elementos de outras, aperfeioando-se dessa maneira. As semelhanas entre culturas diversas deviam ser explicadas no por terem atravessado etapas 
semelhantes de desenvolvimento, como garantiam os evolucionistas, mas sim porque, na histria das sociedades, estava presente um fenmeno de difuso de traos culturais 
de umas para outras. Esses traos culturais teriam nascido em lugares e momentos histricos distanciados entre si,  mas teriam tido uma progressiva difuso, a partir 
do lugar de origem, at chegarem a seu estado atual.
        Em geral, o pensamento difusionista d como certo que a novidade cultural  extremamente rara, sendo muito mais freqente a relquia cultural. O enfoque 
histrico, portanto, persiste entre os difusionistas.

        As teorias hiperdifusionistas.  Pouco antes da primeira guerra mundial, um grupo antroplogos austracos e alemes constituiu a escola de Viena, cujos representantes 
mximos foram Fritz Graebner e o padre Wilhelm Schimidt, autor de uma teoria dos ciclos culturais que obteve notoriedade em sua poca. A escola de Viena considerava 
que todas as culturas existentes na atualidade descendem, por um processo de difuso, de alguns poucos centros nos quais se teriam realizados todas as invenes 
culturais.
        Mais extremistas que seus colegas germnicos, alguns antroplogos britnicos fixaram uma nica fonte de todas as culturas: o antigo Egito. Segundo eles manifestaes 
como as pirmides das culturas pr-colombianas na Amrica seriam uma transcrio das pirmides egpcias.
        A escola hiperdifusionista, entretanto, perdeu rapidamente o prestgio em favor de outras concepes antropolgicas mais prximas da realidade concreta. 
A poca em que esteve em plena vigncia, a concepo difusionista das sociedades foi frtil em pesquisas antropolgicas de campo. A partir do incio do sculo XX, 
comeou-se a considerar que a primeira tarefa do pesquisador era estudar in loco e recolher em primeira mo os dados que iria usar para chegar a concluses. O interesse 
do antroplogo comeou a distanciar-se das tend6encias historicistas e se fixou cada vez mais nas sociedades contemporneas.
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    Funcionalismo.  O germano-americano Franz Boas, considerado um dos pais da antropologia  americana do sculo XX, era um cientista de formao naturalista; por 
isso, encarou com grande ceticismo tanto as teorias difusionistas como as evolucionistas. Boas preferiu a concepo funcionalista de uma cultura; para  ele, uma 
cultura  um conjunto unitrio que deve ser estudado em sua totalidade, e, composto, como uma mquina, de diferentes peas interdependentes. Em seus trabalhos sobre 
os esquims, deixou bem fundamentada a metodologia do trabalho de campo, atividade a que seus discpulos iriam dar especial relevncia. O enfoque de Boas, embora 
funcionalista, no deixa de estar matizado pelo historicismo, j que ele sempre se interessou pela forma como se haviam desenvolvido no tempo as instituies culturais.

        Depois da primeira guerra mundial, as abordagens histricas das sociedades foram perdendo adeptos e a escola funcionalista comeou a ganhar relevncia. Bronistaw, 
seu mais eminente representante, sustentou que o objetivo da pesquisa antropolgica deve ser a compreenso da totalidade de uma cultura,  inseparvel da percepo 
da conexo orgnica de todas as suas partes. A comparao entre culturas e a abordagem histrica no tm sentido para Malinowski; s faz  parte de uma cultura aquilo 
que, no momento em que se estuda, tem nela uma funo. A nica maneira de  perceber um elemento de uma cultura  analisar a funo que tem esse elemento dentro dela. 
No se pode compreender uma instituio social sem conhecer suas relaes com as outras instituies da mesma sociedade. As atividades econmicas, o sistema de valores 
e a organizao de uma sociedade constituem um complexo inter-relacionado cuja descrio  necessria para que se possa estudar adequadamente essa sociedade.
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    Dentro da tendncia funcionalista, a escola sociolgica francesa, encabeada por ,ile Durkheim, teve notvel influncia sobre o pensamento antropolgico. Em 
Rgles de la nthode sociologique (1895; Regras do  mtodo sociolgico), Durkheim deixou bem estabelecido que, no campo social, existe um aspecto da realidade que 
vai alm dos simples comportamentos individuais.  preciso, portanto, estudar os fatos sociais como se fossem coisas em si, independentes da conscincia dos indivduos 
que formam a sociedade.
        O intelectualismo analtico e a concepo da sociedade como um todo orgnico, como um sistema - caractersticas da escola sociolgica francesa -, ao lado 
da tradio empirista, que busca fatos - das escolas anglo-saxnicas e, em parte, da germnica - so talvez as duas bases fundamentais em que se assenta a moderna 
antropologia social.
        Estruturalismo. Marcel Mauss, fundador do Instituto de Etnologia da Universidade de Paris, foi mestre de toda  uma gerao de antroplogos europeus. Seu 
enfoque, em princpio funcionalista, conquanto mais centrado na sociedade como um todo indivisvel do que como uma soma de inter-relaes entre indivduos deu origem 
 escola estruturalista. Baseando-se em conceitos derivados da matemtica formal e da lingstica, os  antroplogos estruturalistas buscaram compreender uma dada 
sociedade extraindo seu modelo estrutural;.

        Os procedimentos estruturalistas demonstraram sua utilidade para o conhecimento dos sistemas de parentesco e dos sistemas de mitos. Mas a absoluta falta 
de viso histrica da escola estruturalista e sua anlise meramente esttica da realidade foram amplamente criticadas.
        
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Alguns dos principais representantes da escola estruturalista foram o britnico Arnold R. Radcliffe-Brown e o francs Claude Lvi-Strauss.
        Culturalismo.  No perodo entre as duas guerras mundiais  desenvolveu-se, fundamentalmente nos estado Unidos, uma corrente cultura lista em antropologia, 
cuja premissa bsica era a de que uma dada cultura impe um determinado modo de pensamento aos homens nela inseridos. A cultura condiciona o comportamento psicolgico 
do indivduo, sua  maneira de pensar, a forma como percebe seu entorno e como extrai, acumula e organiza a informao da proveniente. Nesse sentido, foram significativos 
os trabalhos de Ruth Benedict, realizados na dcada de 1930, sobre os ndios pueblo  do sudoeste dos estados Unidos - os quais, apesar de imerso  num meio fsico 
semelhante ao das etnias circunvizinhas, racionavam de forma muito diferente diante de problemas idnticos. 
        Margaret Mead analisou principalmente a importncia da educao na formao da personalidade adulta. Ralph Linton e Abram Kerdiner, por sua vez,  expuseram 
o conceito de personalidade de base, que consistiria num mnimo psicolgico comum a todos os  membros de uma sociedade.
        Outras escolas antropolgicas.  Os antroplogos da unio Sovitica e de outros pases socialistas mantiveram viva a tradio da antropologia marxista, de 
raiz evolucionista. Em alguns pases ocidentais, especialmente na Frana, a influncia do pensamento marxista se refletiu sobretudo em alguns aspectos da chamada 
antropologia econmica.
       

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 Por outro lado, alguns antroplogos americanos se mantm fiis a uma concepo evolucionista das culturas, embora matizando-a, referindo-se a ela como um evolucionismo 
multilinear.
        Mtodo da antropologia cultural.  O antroplogo cultural atua basicamente mediante o trabalho de campo nas comunidades que deseja estudar, com  freqncia 
durante mais de um ano. Os mtodos de trabalho so, fundamentalmente, variaes em torno de dois procedimentos, a entrevista de informantes e a chamada observao 
participante. Se em certas comunidades a maioria de seus membros se dispe a  prestar abundantes informaes sobre seu modo de vida, em outras o pesquisador tem 
de se esforar para ganhar a confiana de umas poucas pessoas que concordaro em lhe prestar informaes.  ainda da maior importncia que procure aprender a lngua 
local, para ganhar a simpatia dos entrevistados,  compreender os comentrios e conversas  sua volta e captar com preciso o significado social de determinados comportamentos, 
mal expresso quando traduzido. A seguir, o antroplogo tenta entrevistar informantes que ocupem distintas posies (profissionais, sociais econmicas etc.) na comunidade 
e compara as informaes fornecidas.
        No entanto, um nativo pode aceitar como "naturais" aspectos de sua cultura que so de acentuado interesse para o antroplogo. Por isso, existem muitos aspectos 
a que o pesquisador s pode ter acesso atravs da "observao participante", a participao do pesquisador nas atividades normais da vida comunitria: trabalho cotidiano, 
cerimnia religiosas, ritos de iniciao, atividades de lazer etc. Normalmente a observao participante  a maneira mais fcil de perceber a complexidade das interaes 
sociais. Alm disso, s por meio dela o antroplogo pode se dar conta do significado emocional de uma dada atividade humana: uma coisa  ouvir a 
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pormenorizada descrio de uma  penosa expedio de caa, outra  participar pessoalmente dela.
        Antropologia fsica
        Como se viu na Segunda metade do sculo XIX ficou bem clara uma primeira diferenciao dos estudos antropolgicos entre os que se referiam ao homem como 
ser social e os que tomavam como objeto de estudo do ponto de vista de suas caractersticas biolgicas. Desde ento, a antropologia fsica se desenvolveu em torno 
de dois objetivos principais: de um lado, o desejo de encontrar o lugar que o homem ocupa dentro da classificao animal, e averiguar sua histria natural; de outro, 
a inteno de oferecer uma definio inequvoca das diversas categorias em que se pode dividir o conjunto do gnero humano, de acordo com  as diferenas biolgicas 
que os homens apresentam entre si.

        O primeiro desses objetivos se traduziu na tentativa, por parte dos pesquisadores, de reconstituir a linha evolutiva que teria vindo dos primatas at o homem. 
Foi essa a tarefa que se popularizou, na Segunda metade do sculo XIX, com o nome de "busca do elo perdido". No sculo XX, a matria adquiriu um carter mais cientfico 
e se vinculou estreitamente com a paleontologia ou estudo dos fsseis. Importantes descobertas de "homens-macacos", primeiro na frica meridional e depois na frica 
oriental, permitiram um conhecimento mais preciso da evoluo dos homicdios. Destacaram-se nesses trabalhos antroplogos como os da famlia queniana Leaky (Louis 
Seymour Blazett e Mary, assim como o filho do casal, Rchard) e o americana D.C. Johanson. Curiosamente, essa disciplina adquiriu tal importncia nos pases 
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anglosaxes que, neles, o termo "antropologia" se aplica quase exclusivamente a ela, nos pases da Europa continental, tais pesquisas no costumam ser consideradas 
propriamente  antropolgicas e so classificadas como uma forma de paleontologia, a qual  vista como um instrumento da outra.
        De qualquer modo, realizaram-se classificaes raciais bastante complexas, mas que logo demonstrariam sua insuficincia, j que se guiavam basicamente pelo 
critrio de dar importncia maior aos traos mais  visveis do corpo humano - formato do rosto, cor da pele etc. - , que no so necessariamente os traos diferenciadores 
mais importantes.
        Por volta de 1900, desencavaram-se os velhos trabalhos de Gregor Mendel sobre a hereditariedade, publicados 35 anos antes, e rapidamente a cincia da gentica 
ganhou enorme vigor. Por outro lado, a descoberta dos grupos sangneos, seguida de muitas outras relativas s caractersticas bioqumicas do corpo humano, ps a 
descoberto a superficialidade das classificaes raciais baseadas nas caractersticas morfolgicas externas.
        A principal dificuldade em que se debate a antropologia cultural consiste em sua carncia de um corpo unificado de conceitos, problema ainda no resolvido. 
Embora  lentamente parea estar-se cristalizando um fundo comum de terminologia, de utilizao universal e com significado unvoco,  esse o grande obstculo para 
que a antropologia cultural seja considerada uma verdadeira cincia.

        Outro problema com que se defrontam os antroplogos culturais  o fato estarem desaparecendo as culturas no europias, ou tradicionais - seu objeto de trabalho 
habitual por 
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mais de um sculo -, atropeladas pela cultura de carter europeu, hoje convertida em   universal. Nesse confronto as sociedades tradicionais ou esto morrendo ou 
sofrendo processos de aculturao e adaptao to intensos que seria difcil reconhecer, nelas, sua realidade primeira.
        Por outro lado, pesquisadores de diversas nacionalidades, e no apenas europeus e americanos desenvolvem estudos antropolgicos; latino-americanos, africanos, 
indianos, japoneses, entre outros, vierem acrescentar seus pontos de vista  discusso geral.
        Um campo de trabalho aberto aos antroplogos culturais nos anos que se seguiam  Segunda guerra mundial foi o das investigaes que conduzem  melhor compreenso 
dos povos do terceiro Mundo, com o objetivo de facilitar as iniciativas governamentais voltadas para o estmulo s mudanas ou para a incorporao das sociedades 
tradicionais ao modo de vida da sociedade industrial. Assim, por exemplo,  comum que, ao prepararem uma campanha de alfabetizao, os governos ou as entidades promotoras 
contratem os servios de antroplogos para que realizem estudos prvios que possam orientar as atuaes.

        Cultura
        Todos os povos mesmos os mais primitivos, tiveram e tm cultura, transmitida no tempo de gerao a  gerao. Mitos, lendas, crenas religiosas. 
        Sistemas jurdicos e valores ticos refletem as formas de agir, sentir, e pensar de um povo e compe seu patrimnio cultural.
        Em antropologia, a palavra cultura tem muitas definies. Coube ao antroplogo ingls  Edward Burnett Tylor, nos pargrafos iniciais de Primitive Cultura 
(A Cultura Primitiva) oferecer pela primeira vez uma definio formal e explcita do conceito: " Cultura ...  o 

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complexo no qual esto includos conhecimentos, crenas, artes, moral leis, costumes e quaisquer outras aptides e hbitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade".
       
        J o antroplogo americano Meville Jean Herskovits descreveu a cultura como parte do ambiente feita pelo homem: Ralph Linton, como a herana cultural e Robert 
Harry Lowie, como o conjunto da tradio social. No sculo XX, o antroplogo e bilogo social ingls Ashley Montagu a definiu como o modo particular como as pessoas 
se adaptam a seu ambiente.
        Nesse sentido, a cultura   o modo de vida de um povo, o ambiente que um grupo de seres humanos, ocupando um territrio comum, criou na forma de idias, 
instituies, linguagem, instrumentos, servios e sentimentos.
        Conceituao. A histria da conceituao antropolgica do conceito de cultura tem origem nessa famosa definio de Tylor, que ensejou a posio clssica 
entre natureza e cultura, na medida em que ele procurou definir as caractersticas diferenciadoras entre o homem e o animal a partir dos costumes, crenas e instituies, 
encarados como tcnicas que possibilitam a vida social. Tal definio tambm marcou o incio do uso inclusivo do termo continuado dentro da tradio dos estudos 
antropolgicos por Fraz Boas e Bronislaw Malinowski, entre outros. Sobretudo na Segunda metade do sculo XX, esse uso caracterizou-se pela nfase dada a pluralidade 
de culturas locais, enfocadas como conjuntos organizados e em funcionamento, e pela perda de interesse na evoluo dos costumes e instituies, preocupao dos antroplogos 
do sculo XIX.
        
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    S o homem  portador de cultura; por isso, s ele a cria, a possui e a transmite. As sociedades animais e vegetais a desconhecem  um complexo, porque forma 
um conjunto de elementos, inter-relacionados e interdependentes, que funcionam em harmonia na sociedade. Os hbitos, idias, tcnicas, compem um conjunto, dentro 
do qual os diferentes membros de uma sociedade convivem e se relacionam. A organizao da sociedade, como um elemento desse complexo, est relacionada com a organizao 
econmica; os dois entre si relacionam-se igualmente com as idias religiosas. O conjunto dessa inter-relao faz com que os membros de uma sociedade atuem em perfeita 
harmonia.
        A cultura  a herana que o homem recebe ao nascer. Desde o momento em que  posta no mundo, a criana comea a receber uma srie de influncias do grupo 
em que nasceu: as maneiras de alimentar-se, o vesturio, a cama ou a rede para dormir, a lngua falada, a identificao de um pai de uma me, e assim por diante. 
 proporo que vai crescendo, recebe novas influncias desse mesmo grupo, de modo a integr-la na sociedade, da qual participa como uma personalidade em funo 
do papel  que nela exerce. 
        Se individualmente o homem age como reflexo de sua sociedade, faz aquilo que  normal e constante nessa sociedade. Quanto mais nela se integra, mais adquire 
novos hbitos, capazes de fazer com que se considere um membro dessa sociedade, agindo de acordo com padres estabelecidos. Esses padres so justamente a cultura 
da sociedade em que vive.
        A herana cultural no se confunde, porm, com a herana biolgica. O homem ao nascer recebe essas duas heranas: a herana cultural lhe transmite hbitos 
e costumes, ao passo que a herana biolgica lhe transmite as caractersticas fsicas ou genticas de seu grupo humano. Se 
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uma criana, nascida numa sociedade bororo,  levada para o Rio de Janeiro, passando a ser criada por uma famlia de Copacabana, crescer com todas as caractersticas 
fsicas - cor da pele e do cabelo, forma do rosto, em especial os olhos amendoados -  de seu grupo bororo. Todavia, adquirir hbitos, costumes, a lngua, as idias, 
modo de agir da sociedade carioca em que se cria e vive.
        Alm desses hbitos e costumes que recebe de seu grupo, o homem vai ampliando seus horizontes, e passa a ter novos contatos: contatos com grupos diferentes 
em hbitos, costumes ou lngua, os quais faro com que adquira alguns desses hbitos, ou costumes, ou modos de agir. Trata-se da aquisio pelo contato. Foi o que 
se verificou no Brasil no sculo XIX com hbitos introduzidos pelos imigrantes alemes ou italianos; o mesmo sucedeu em sculos anteriores com costumes introduzidos 
pelos negros escravos trazidos da frica. Tais costumes vo se incorporando  sociedade e com o tempo, so transmitidos como herana do prprio grupo.
         certo que esta transmisso pelo contato no abrange toda a cultura do outro grupo. Somente alguns traos se transmitem e se incorporam  cultura receptora. 
Esta, por sua vez, se torna tambm doadora em relao  cultura introduzida, que incorpora a seus padres hbitos ou costumes que at ento lhe eram estranhos.  
o processo de transculturao, ou seja, a troca recproca de valores culturais, pois em todo contato de cultura as sociedades so ao mesmo tempo doadoras e receptoras. 
Dessa forma, o homem adquire novos elementos culturais, e enriquece seu tipo cultural.
        Esses elementos, que compe o conceito de cultura, permitem mostrar que ela est ligada  vida do homem de um lado, e, de outro, se encontra em estado dinmico, 
no sendo esttica sua 
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permanncia no grupo. A cultura se aperfeioa se desenvolve, se modifica, continuamente, nem sempre de maneira perceptvel pelos membros do prprio grupo.  justamente 
isso que contribui para seu enriquecimento constante, por meio de novas criaes da prpria sociedade e ainda que  adquirido de outros grupos. 
        Graas s pesquisas em jazidas arqueolgicas, tem sido recompor ou reconstruir as culturas, o que permite conhecer o desenvolvimento cultural do homem, sobretudo 
no campo material.  mais difcil porm conhecer o desenvolvimento da cultura espiritual, embora muita coisa j se tenha podido esclarecer. De qualquer forma o que 
se sabe  que, nascida com o homem, a cultura, sofreu modificaes ao longo dos tempos, enriquecendo-se de novos elementos e adquirido novos valores. A cultura acompanha, 
pois, a marcha da humanidade; est ligada  vida do homem, desde o ser mais antigo. Com a expanso do homem pela Terra, ocupando os grupos humanos novos meios ambientes, 
a cultura se ampliou e se diversificou em face das influncias impostas pelo meio, cujas relaes com o homem condicionaram o aparecimento de novos valores culturais 
ou o desaparecimento de outros.
        Sentidos de cultura. Assim, dentro do conceito geral de cultura,  possvel falar de culturas e, por isso, se identificam sentidos especficos segundo os 
quais a cultura  antropologicamente considerada. So quatro, a saber: (1)a cultura entendida como modos de vida comuns a toda a humanidade; (2) a cultura entendida 
como modos peculiares a um grupo de sociedades como maior ou menor grau de interao; (3) a cultura entendida como padres de comportamento como padres de comportamento 
peculiares a uma data sociedade; (4) a cultura entendida como modos especiaias de comportamento de segmentos de uma sociedade complexa.
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      O primeiro sentido apresenta aqueles elementos de cultura comuns a todos os seres humanos, como a linguagem (todos os homens falam, embora se diversifiquem 
os idiomas ou lnguas faladas). So aqueles hbitos - o de dormir o de comer, o de Ter atividade econmica -  que se tronam comuns a toda a humanidade.
        No segundo sentido, encontram-se os elementos a um grupo de sociedades  como o vesturio chamado ocidental, que  comum a franceses, a portugueses, a ingleses. 
So diversas sociedades que tm o mesmo elemento cultural; o exemplo  o uso do ingls por habitantes da Inglaterra, da Austrlia, da frica do Sul, dos Estados 
Unidos, que, entre si, entretanto, tm valores culturais diferentes.
        O terceiro sentido  formado pelo conjunto de padres de determinada sociedade, por exemplo, aqueles padres culturais que caracterizam o comportamento da 
sociedade do Rio de Janeiro; ou as peculiaridades que assinalam s habitantes dos Estados Unidos.
        O quarto sentido de cultura refere-se a de modos especiais de comportamento de um segmento de sociedade mais complexa. Uma dada sociedade possui valores 
culturais comuns a todos os seus integrantes. Dentro, porm, dessa sociedade encontram-se elementos culturais restritos ou especficos de determinados grupos que 
a integram. So certos costumes que, dentro da sociedade multplice do Rio de Janeiro, apresentam os habitantes de Copacabana, os de uma favela ou de um subrbio 
distante. A esses segmentos culturais de uma sociedade complexa, d-se tambm o nome de sub-cultura.
        So esses sentidos que permitem verificar a diferenciao de cultura entre os diversos grupos humanos . Tal diferenciao resulta de processos internos ou 
externos, uns e outros 
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atuando de maneira diversa sobre o fenmeno cultura. Entre os processos internos, encontra-se as inovaes, traduzidas em descobertas e invenes, que, s vezes, 
surgem em determinado grupo e depois se transmitem a outros grupos no raro sofrendo modificaes ao serem aceitas pela nova sociedade. Os processos externos explicam-se 
pela difuso:  a transmigrao de u elemento cultural de uma sociedade a outra. Em alguns casos o elemento cultural mantm a mesma forma e funo: em outros, modifica-as 
ou mantm apenas a forma e modifica a funo.
        A caracterizao de Herskovits. Todos esses aspectos relacionados com o processo cultural de uma sociedade podem ser analisados  base de alguns princpios.
       
         De acordo com  a caracterizao de Meville Herskovits, a cultura deriva de componentes da existncia humana,  aprendida, estruturada, formada de elementos, 
dinmica, varivel, cumulativa e um instrumento de adaptao do homem ao meio ambiente.
        A cultura  derivada de componentes da existncia humana, ou seja, origina-se dos fatores ligados ao homem. So fatores ambientais psicolgicos, sociolgicos, 
e histricos , que contribuem para compor a cultura dentro de uma sociedade estudada. Ela  tambm aprendida, porque se verifica um processo de transmisso dos mais 
velhos - pessoas ou instituies - aos mais novos  proporo que estes se vo incorporando a sua sociedade. So chamadas linhas de transmisso, isto , aqueles 
meios pelos quais se verifica a aprendizagem da cultura. A famlia, os companheiros de trabalho, os professores, o esporte, a igreja, a escola, so linha s de transmisso, 
ou seja, transmitem a cultura, que se torna assim aprendida pelos que incorporam  sociedade.
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        Do esmo modo, a cultura  estruturada, pois tem uma forma ou estrutura que lhe d estabilidade no respectivo grupo humano, sem prejuzo das possibilidades 
de mudana, que so imensas.  estruturada no sentido de que, compondo- se de diversos valores, mantm entre eles uma estruturao orgnica.
        Constituda de diferentes valores, a cultura forma os complexo que, unidos e inter-relacionados, do o padro cultural. A organizao social, a lngua usada, 
a organizao poltica, a esttica, as idias religiosas, as tcnicas, o sistema de ensino so alguns dos elementos existentes em uma sociedade. Esses elementos 
do forma a cultura e a representam, em conjunto, de maneira a caracterizar a sociedade em que se manifestam.
        No so iguais, porm, em todas as sociedades; da a cultura ser varivel. A cultura  tambm cumulativa; vo se acumulando nela, em face da respectiva sociedade, 
os elementos vindos de geraes anteriores, sem prejuzo das mudanas que se podem verificar no decorrer do tempo.
        Cada gerao humana, em determinada sociedade, recebe os elementos vindos de seus antepassados, e ao mesmo tempo vai acolhendo novos elementos que se juntam 
queles. Por isso mesmo, a cultura  tambm contnua: vai alm do indivduo ou de uma gerao, pois continua mesmo modificada, mas sem interromper sua permanncia 
na sociedade a que pertence.  o  continuum cultura que liga cada sociedade a suas razes mais antigas. Se alguns valores se alteram, desaparece e so substitudos 
por novos, outros s mantm constantes, vivos, gerao aps gerao. Essa continuidade cultural d  sociedade sua estabilidade, pois apesar das 

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renovaes, invases, novos contatos com grupos diferentes, o fato  que a cultura permanece, e  a sociedade prossegue em sua existncia.
        Por fim, a cultura  um instrumento de adaptao do homem ao ambiente.  pelos valores culturais que o homem se integra ao seu meio . Primeiro, como indivduo. 
Ao transforma-se em personalidade que se incorpora a seu grupo, vai adquirindo os hbitos, os usos e os costumes da sociedade a que pertence, de forma a adaptar-se 
inteiramente a ela. Aprende a lngua que deve ser falada; adquire as noes de relaes com os companheiros; aprende os mesmos jogos infantis e as mesmas atividades 
juvenis; adquire uma profisso que atende aos interesses da sociedade. Em segundo lugar, cria instrumentos ou concebe novas idias, que o capacitam a melhor adaptar-se 
ao ambiente.
        Classificaes da cultura. Apesar de formar uma unidade devidamente estruturada, cumulativa e contnua, a cultura pode ser dividida.  o que se chama de 
classificao de cultura, isto , a diviso dos valores culturais exclusivamente por necessidade metodolgica, ou para fins pedaggicos ou didticos. Os elementos 
que integram uma cultura no dominam uns aos outros; unem-se ajudam a compreender a cultura a seu funcionamento. A classificao ou diviso da cultura  apenas uma 
necessidade que tm os estudiosos para melhor apreciar os diferentes aspectos dessas cultura. Da a prpria variao dessas classificaes ou divises, em geral 
conforme as preferncias ou pontos de vista em que se coloca cada autor.
        A mais antiga classificao se deve ao  socilogo americano William Fielding Ogburn, que em Social Change: With Respect to Culture and Original Nature ;( 
Mudana social: referida  cultura e natureza original) dividiu a cultura em material e no - material ou espiritual. A 
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primeira compreendida todos os elementos capazes de uma representao objetiva, e um objeto o fato. A Segunda seria tudo o que  criado pelo homem, como concepo 
ou idia, nem sempre trazidos em objetos ou fatos.
         Outras classificaes podem ainda ser lembradas. Ralph Linton, baseando-se na constatao de que os fatos culturais resultam as necessidades humanas, dividiu 
a cultura em : necessidades biolgicas, agrupando todos os fatos que correspondem  vida fsica do homem (alimentao, habitao, vesturio etc); necessidades sociais, 
em que se renem todos os fatos relacionados com a vida em sociedade (organizao social, organizao poltica, ensino etc.); e necessidades psquicas, que compreendem 
todos os fatos que representam manifestaes de pensamento dos seres humanos (crenas, esttica etc). Melville Herskovits ofereceu a seguinte distribuio dos elementos 
culturais: cultura material e suas sanes; instituies sociais; homem universo; esttica, linguagem.
        Pode-se ainda assinalar a classificao dos elementos culturais, tendo em vista os sistemas operacionais de ao do homem: sistema ou nvel adaptativo, em 
que se verificam as relaes do homem com o meio(ecologia, tecnologia, economia); sistema ou nvel associativo, em que se estudam as relaes dos homens entre si 
(organizao social, famlia, parentesco, organizao poltica); e sistema ou nvel ideolgico, onde  se compreendem os produtos mentais resultantes de relaes 
entre os homens e as idias ou concepes (saber, crenas, linguagem, arte etc).
        Uma ltima observao deve ser feita, em face da aplicao do sentido de cultura;  que muitas vezes se tem confundido, na linguagem menos cientfica, o 
sentido de cultura com o de raa ou de lngua. Falar-se, por exemplo, de uma raa ariana  um engano, pois o que existe so 
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povos que falaram originariamente as lnguas indo- europias ou arianas, troncos de onde nasceram as modernas lnguas faladas na Europa contempornea. Da mesma forma 
 um engano falar-se de raa judaica, pois o que existe so elementos humanos, que se aglutinam pela cultura, em particular pelos mesmos ideais ou sentimentos religiosos, 
e nunca pelas mesmas caractersticas fsicas.
        Convm salientar que as trs variveis - cultura, raa e lngua - so independentes e no seguem a mesma direo. Encontram-se caos em que persistem as caractersticas 
raciais e se modificam as lingsticas e culturais, como se verificou com os negros da frica e na Amrica do Norte ou com os vedas do Ceilo (hoje Sri Lanka). Em 
outras ocasies, persistem as caractersticas lingsticas e modificam -se as raciais, foi o que sucedeu com os magiares na Europa, vindos de um mesmo tronco lingstico, 
mas de variada formao racial. Pode tambm suceder a persistncia de caractersticas culturais e a modificao das caractersticas fsicas ou lingsticas.  o 
exemplo encontrado nos povos chamados latinos. Com tais exemplos, conclui-se que cultura no se confunde com raa ou lngua.
        Padro cultural. Em antropologia, a expresso padro cultural se refere  soma total das atividades - atos, idias, objetos - de um grupo: ao ajustamento 
dos diversos traos e complexos de uma sociedade.  aquela configurao exterior que uma cultura apresenta, traduzindo o conjunto de valores que expressa essa mesma 
cultura.
         A idia desse conceito comeou a forma-se com o antroplogo americano Franz Boas, que em 1910 afirmou a individualidade da cultura em cada tribo indgena 
americana por ele estudada. Essa observao decorreu da presena de certos elementos que distinguem 
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determinada cultura. No caso dos grupos estudados Boas mencionou o conservantismo dos esquims, sua capacidade de inveno sua boa ndole, seu conceito peculiar 
da natureza e outros aspectos. Tais elementos no so conseqncia de simples difuso: resultam, em grande parte, de seu prprio mtodo de vida; e o esquim mesmo 
vai remodelando os elementos obtidos de outros grupos, de acordo com os padres dominantes de seu meio.
        A idia de padro, em seu sentido antropolgico, somente se formulou, no entanto, com a antroploga americana Ruth Benedict, em sua obra clssica Patterns 
of culture (1934; Padres Culturais). Estudando as diferentes caractersticas das culturais tribais, ela ressaltou que existe um padro psicolgico modelador dos 
elementos culturais emprestados. Por sua vez, esse mesmo padro afasta aqueles elementos culturais que a ele no se conformam. A cultura  como o indivduo, e tem 
um padro mais ou menos consistente em seu pensamento e ao. Benedict analisa as culturas dos ndios zunis, indicando os padres culturais de cada um desses grupos, 
para mostrar o que os caracteriza. Admite, igualmente, uma influncia da psicologia gestalista que lhe permitiu demonstrar a importncia de tratar o todo em lugar 
das partes e provar que nenhuma anlise das percepes separadas pode explicar a experincia total.

        Por maio dos trs grupos tribais estudados na obra, Ruth Benedict procura explicar, e no apenas expor, as caractersticas que cada um apresenta em seu padro 
cultural. Apesar da ampla difuso de sua obra e da imensa aceitao de seu conceito de padro cultural, no se podem  negar as crtica feitas a seu mtodo de estudo, 
traduzidas principalmente na observaes de Robert Lowie; a este se afigurava que o desejo de distinguir um padro de outro conduz 
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necessariamente a uma tendncia de sob-diferenas. Dessa forma podem produzir-se srias alteraes em virtude de uma seleo subjetiva dos critrios. Enfim, a Lowie 
parecia que se deveriam esperar investigaes ulteriores para chegar a uma definio adequada do conceito de padro.
        Escola histrico - cultural. Corrente  etnolgica que procura explicar o desenvolvimento cultural coo processo de difuso, a escola histrico - cultural 
teve seu primeiro idealizadores na ustria e na Alemanha, donde o nome com que  tambm conhecida: escola austro-alem. O antroplogo e arquelogo alemo Leo Frobenius 
 um de seus primeiros nomes. A ele se deve a idia dos ciclos culturais, de que a constncia na associao dos elementos culturais determina a formao de um ciclo 
- um conjunto de determinados valores culturais partidos de um ponto nico dentro da rea ocupada. A rea ocupada por esses valores de cultura  o crculo cultural.
        Ao mesmo tempo que Frobenius aplicava essa teoria aos povos africanos, o etnlogo Fritz Graebner, em Berlim, estudava, dentro do mesmo critrio, os povos 
da Oceania. Comearam ento a surgir as bases dessa nova teoria antropolgica, especificamente etnolgica, repercutindo sobretudo em Viena, onde o padre Wilhelm 
Schmidt estudou tambm a distribuio dos grupos humanos em ciclos culturais. Viena e Berlim tornaram-se os centros fundamentais da formao e desenvolvimento dessa 
escola, cujos princpios metodolgicos esto sistematizados por Graebner, em livro publicado na primeira dcada deste sculo sob o ttulo Methode der Ethnologie(1911; 
Metodologia Etnolgica). Tambm Schmidt publicou um livro com os fundamentos metodolgicos da escola histrico -  cultural.
      
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       Os estudos de Wilhelm Schmidt nem sempre concordaram plenamente com os de Graebner. Surgiram, entre dois, cretas divergncias de detalhes que no invalidam, 
entretanto, o conjunto. Alm dos critrios de Graebner, que  so o de forma e o de qualidade, Schmidt estabeleceu o princpio de causalidade cultural, quer dizer, 
apontou a existncia de causas externas e internas que incidem na formao da cultura. As causas externas so as que, de fora, influem sobre o homem, tais como as 
foras fsicas e a prpria atividade do homem; as causas internas so as vindas de dentro  do prprio grupo, de natureza instintiva. So causas que nem sempre podem 
observar-se, salvo quando se traduzem em formas concretas.  
        Uma das divergncias entre Graebner e Schmidt era o estabelecimento dos ciclos culturais. Enquanto Graebner considerava os tasmanianos como o povo mais primitivo, 
Schmidt assim considerava os pigmeus da floresta da frica. Ora, um ciclo de cultura caracteriza-se pelo conjunto de valores culturais existentes naquele grupo, 
e pode no Ter continuidade geogrfica. Chegou-se, pois,  evidncia  de que nem os tasmanianos so mais primitivos que os pigmeus africanos, nem estes mais que 
aqueles. Cientificamente colocam-se num mesmo plano e, assim, dentro de um mesmo ciclo.
        O crculo cultural, alm de caracterizar uma distribuio geogrfica, considera ainda a histria do desenvolvimento cultural e estuda a estratificao dos 
elementos existentes.  
        Nisso diverge do conceito, mais moderno, de rea cultural, que considera territorialmente a existncia dos elementos culturais em face de semelhana de cultura 
material e de condies geogrficas. No considera como importante a reconstituio histrica dos elementos. Baseia-se essencialmente e sua localizao. O conceito 
de rea cultural foi um dos traos de diversificao e divergncia da escola americana, liderada por Fraz Boas, em face da escola histrico- cultural, da qual se 
originou.
        A arqueologia  uma cincia social que procura compreender a estrutura, o funcionamento e as mudanas das sociedades humanas do passado, a partir do estudo 
de sinais materiais 
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encontrados no presente. Esses vestgios, resultado da interveno do homem em determinado espao, como restos de habitao, locais de culto ou textos escritos, 
so chamados de stios arqueolgicos . Um dos processos mais utilizados para calcular a idade de um stio arqueolgico  o que emprega o carbono-14, um elemento 
radioativo presente em ossos, madeiras ou demais compostos orgnicos . Como a velocidade de decomposio do carbono-14 nos seres vivos  conhecida (a cada 5.730 
anos ele perde metade de sua radiao),  possvel, pela comparao, determinar a idade de um stio arqueolgico.
        Origens - Os primeiros sinais da pesquisa arqueolgica surgem na pennsula Ibrica, entre os sculos XV e XVI. Os papas, cardeais e a nobreza, interessados 
em colecionar objetos da arte antiga, patrocinam as primeiras escavaes.
        A arqueologia  propriamente dita se desenvolve a partir de 1748, com as investigaes de Pompia e Herculano, na Itlia. Essas cidades guardam um registro 
do cotidiano de seus habitantes, que foram mortos e conservados pela lava do vulco Vesvio, em 79 a.C. A partir da, vrias pesquisas se desenvolvem em outras partes 
do mundo.
        Europa - Em 1856, o alemo Johann Fuhlrott encontra partes do esqueleto do homem de Neanderthal nas proximidades de Dsseldorf, na Alemanha. Considerado 
um ancestral do homem atual, ele teria vivido entre 70 mil e 45 mil anos atrs.
        Na virada do sculo, em 1902, especialistas admitem pela primeira vez a existncia de pinturas rupestres (gravadas em rochas) feitas por homens pr-histricos. 
Reveladas pelo espanhol Marcelino de Sautuola nas cavernas de Altamira, na Espanha, so datadas de aproximadamente 15 mil anos. Outra importante coleo de inscries 
rupestres  encontrada, em 1940, na caverna de Lascaux , na Frana. Elas indicam a existncia humana na regio h cerca de 100 mil anos.
        Amrica - Entre 1839 e 1842, o norte-americano John Stephens e o ingls Frederick Catherwood descobrem as cidades maias de Copn, Quirigu, Palenque, Uxmal 
e Chichn Itz, que estavam situadas na pennsula de Yucatn, no Mxico . Elas so a primeira civilizao nativa da Amrica a ser encontrada. Na Amrica do Sul, 
em 1911,  descoberta a cidade inca de Machu Picchu , no Peru, pelo norte-americano Hiram Bingham. Suas construes de pedra resistiram  destruio resultante do 
domnio espanhol no sculo XV. 
        frica - Quando Napoleo Bonaparte  invade o Egito, em 1798, tem incio o estudo das antiguidades do pas. O resultado dessas pesquisas permite que o francs 
Jean-Franois Champollion decifre os hieroglifos (a antiga escrita egpcia) da pedra Rosetta, em 1822, possibilitando a leitura de milhares de outros documentos 
egpcios. Ainda no Egito, em 1922,  localizada a tumba do fara Tutancmon, que governou o pas por nove anos at sua morte, em 1352 a.C. 
         As pesquisas sobre a existncia do homem na Terra ganham novo estmulo em 1974. O francs Don Johanson e o norte-americano Tom Gray descobrem, em Hadar, 
na Etipia, o mais antigo antepassado humano. Com mais de 3 milhes de anos, foi apelidado de Lucy e tinha a maior parte de seu esqueleto intata. 
        sia - As escavaes das runas indianas de Mohenjo Daro e Harappa (hoje situadas no Paquisto), que se iniciam em 1922, mostram evidncias de que a civilizao 
hindu existiu na regio desde 2350 a.C. Em 1947 so recuperados os pergaminhos do mar Morto. Encontrados em 11 cavernas das runas de Qumrn, na Jordnia , contm 
textos bblicos e no-bblicos. Na 
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China, em 1974,  descoberto o tmulo de Qin Shi Huangdi, primeiro imperador chins. Tombado como patrimnio da humanidade, revela, a partir de esttuas de milhares 
de guerreiros e trabalhadores, as estruturas e relaes sociais da dinastia h cerca de 2,2 mil anos.
        Descobertas recentes - Um marco da explorao de stios submarinos ocorre em 1982, com a retirada do navio Mary Rose das guas de Solent, na Inglaterra. 
Com cerca de 450 anos, ele pertenceu  frota de Henrique VIII. Outro momento importante para a arqueologia submarina  a descoberta dos palcios de Clepatra e Marco 
Antnio, em 1996. Eles so localizados por uma equipe de 16 mergulhadores franceses, na regio onde fica o porto de Alexandria, no Egito.


        A arqueologia no Brasil , cincia que estuda a vida e a cultura dos povos antigos a partir de seus vestgios materiais, tem incio no pas em 1834, quando 
o dinamarqus Peter Lund escava as grutas de Lagoa Santa (MG). Ele encontra ossos humanos misturados a vestgios de animais, hoje datados de 20 mil anos.
        Durante o Segundo Reinado (1840-1889), dom Pedro II  implanta as primeiras entidades de pesquisa, como o Museu Nacional do Rio de Janeiro. A partir de 1922 
surgem outras organizaes, como o Museu Paulista e o Museu Paraense, que atraem pesquisadores estrangeiros. Eles chegam ao pas a partir de 1950 e passam a explorar 
stios arqueolgicos na Amaznia, no Par, no Piau  , em Mato Grosso e na faixa litornea. Em 1961, todos os stios arqueolgicos so transformados por lei em patrimnio 
da Unio, a fim de evitar sua destruio pela explorao econmica.
         Atualmente, o Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional (Iphan) registra 8.562 stios arqueolgicos. Entre eles destaca-se o da Pedra Furada 
(PI), onde a brasileira Nide Guidn localizou, em 1971, restos de alimento e carvo datados de 48 mil anos. Esses vestgios, que indicam a existncia humana na 
Amrica durante esse perodo, contrariam a tese tradicionalmente aceita de que o homem teria chegado ao continente americano h cerca de 12 mil anos, pelo estreito 
de Bering, entre a Sibria e o Alasca . 
         Na dcada de 90 destaca-se o trabalho desenvolvido pela arqueloga norte-americana Anna Roosevelt. Ela descobre, em 1991, pinturas rupestres na caverna 
da Pedra Pintada (PA) com mais de 11 mil anos. Em 1995 revela stios cermicos na Amaznia datados de 9 mil anos.
        Charles Darwin - naturalista ingls (1809-1882). Nasce em Shrewsbury e, aos 16 anos, ingressa na faculdade de medicina, onde se interessa por histria natural 
. No conclui o curso porque seu pai o manda estudar teologia em Cambridge. Em 1831, sua amizade com cientistas conceituados o leva a participar, como naturalista, 
de uma expedio de volta ao mundo no navio Beagle, promovida pela Marinha inglesa para completar dados cartogrficos. Durante os cerca de cinco anos de viagem, 
obtm informaes para fundamentar a Teoria da Evoluo das Espcies, publicada em 1859 no livro A Origem das Espcies, na qual afirma que o meio ambiente seleciona 
os seres mais aptos e elimina os menos dotados. Em 1871 provoca polmica com a Igreja ao publicar a obra A Descendncia do Homem, em que expe sua teoria de que 
o ser humano descende do macaco. Com ela, Darwin nega a histria da criao como est descrita no livro Gnesis, da Bblia. Os conservadores tambm protestam contra 
a teoria, por se recusar a admitir que os ancestrais da espcie humana sejam animais. Morre em Down e, por solicitao do Parlamento britnico,  enterrado na abadia 
de Westminster.
        Religio e Misticismo -  A experincia mstica  principalmente um fato, prenhe de significado para a vida religiosa do mstico, para que devamos reconhecer 
a exist6encia psicolgica dos estados caractersticos que compreendem um certo tipo de conscincia em que os smbolos sensoriais e as noes do pensamento abstrato 
e discursivo parecem , por assim dizer, aniquilados e em que a alma se sente unida em contato direto com  a realidade que possui. O mstico sente que tem uma percepo 
mais profunda e uma luz maior em sua experincia da realidade sublime, qualquer que ela seja. Este  o fenmeno que comumente se chama misticismo.
        A natureza do misticismo pode ser entendida a partir de sua definio ou descrio. Antes de tudo, devemos observar que o misticismo no  o culto, nem  
nenhum dos fenmenos paranormais, como a leitura do pensamento, a telepatia ou a levitao. Muitos msticos autnticos podem ter tido estes poderes, mas estes no 
so essenciais para o fenmeno mstico enquanto tal.  Para podermos compreender a definio de todos os tipos de misticismo, podemos dizer que a experincia mstica 
 a percepo direta do ser eterno, concebido em termos pessoais, ou simplesmente como um estado de conscincia.
        Religio e Moralidade -  Kant demonstrou de maneira convincente que no h necessidade de conhecer a existncia de Deus para perceber a obrigao moral de 
praticar o bem e evitar o mal. Ningum pode ser excusado de suas aes ms por ser ateu ou agnstico. Disto no se segue que no exista uma relao entre moralidade 
e Deus.  "Somente a existncia  de um Deus pessoal, que  a Bondade Infinita, pode tornar perfeita a mensagem de valores morais e pode, ulteriormente, justificar 
a validade desta obrigao" ( von Hildebrand). As leis morais no so uma "abstrao respeitvel", mas encontram sua forma concreta pessoal no Deus vivo.
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       O homem no precisa ser religioso para perceber o carter absoluto dos valores morais; mas o homem religioso, relacionando estes valores com Deus, no somente 
entende mais profundamente sua natureza, mas tambm pode aprender que nenhum mal puramente fsico, como a doena, pode, sozinho, ser comparado em importncia a uma 
nica ofensa contra Deus. Os valores morais no so somente percebidos como radicados em Deus mesmo, mas o homem religioso percebe, alm disto, com clareza, que 
a mais suprema e sublime de todas as obrigaes morais  a resposta a Deus. "A religio no pode prosperar sem tica, como tambm a tica  no pode florescer sem 
religio" (von Hgel).
        Crtica Atual da Religio - O discente passa a examinar agora algumas crticas atuais  s funes da religio, pois estas nos ajudam a compreender a verdadeira 
natureza da religio. Presume-se que a religio nos envolve numa confiana supersticiosa em algo que se chama deus ex  machina , num supernaturalismo falso ou numa 
metafsica antiquada. Isto leva  diminuio do esforo humano e do senso humano de responsabilidade. Esta crtica tem uma certa validade, se entendermos que a religio 
v como uma explicao conveniente para tudo o que no termina bem, para tudo o que possa ser difcil de entender, para tudo o que acontece devido  irresponsabilidade 
ou  estupidez do homem. A f religiosa pessoal e a razo pessoal deveriam desempenhar um papel importante no modo de corrigir noes falsas no tocante a Deus ou 
a sua relao com o mundo e os seres humanos. Mas, enquanto rezamos, no somos libertados da convico basilar da religio que, qualquer que seja o modo em que a 
exprimamos, implica certamente um espcie de crena no modo de ser das coisas. No podemos rezar, nem falar do transcendente, nem exprimir um compromisso definitivo 
sem estar preparados para admitir uma base racional para estas coisas.
        Um a outra objeo  religio afirma que esta tem a ver com o fim que o indivduo se prope para a salvao e , portanto,  inerentemente egocntrica. Isto 
pode ser verdade em algum caso extremo, mas erra por completo quando diz que a salvao pessoal na religio se obtm mediante o cumprimento dos deveres para com 
os outros, qualquer que seja a condio em que os encontremos, em nome das prprias crenas religiosas. O homem, como ser social, tem parentesco com outros seres 
humanos e sua relao encontra sua razo mais profunda em suas relaes pessoais com Deus ou com o Absoluto.
        Alm disto, afirma-se que a religio facilmente descamba para a idolatria , o fetichismo, em que as coisas destinadas a servir ao culto se tornam objeto 
de culto. As pessoas apegam-se  fanaticamente a formulaes dogmticas especficas ou a instituies particulares.  Por vezes as regras so absolutas e imutveis. 
Devemos responder, dizendo que a prpria religio se encarrega de julgar tais dolos e realiza reformas a partir de seu interior . Toda a comunidade religiosa tem 
poder de renovar-se e, efetivamente, de vez em quando, implementa um programa de renovao.
        Humanismo -  O humanismo ateu atira sua legitimao da contraposio antitica entre Deus e homem ( prescindindo da questo da existncia de Deus). Por isto, 
a teologia moderna, tanto catlica quanto evanglica, deve em primeiro lugar enfrentar o problema da superao desta anttese. O confronto teolgico com o humanismo 
ateu deve partir da experincia fundamental deste movimento cultural, que sente o ser humano ameaado, oprimido e impedido. Esta experincia  comum a todos os representantes 
do humanismo ateu.  O temor pela prpria existncia  uma experincia central do homem, que se sente limitado e ameaado pela morte. Este conceito do existencialismo 
moderno e da psicologia est em sintonia com a bblia, que 
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atribui grande importncia a este tema.  A nsia pela prpria vida leva o homem a buscar seguranas a todo custo. Isto acontece recorrendo ao uso da violncia . 
Ao invs disto, o anncio cristo  visa comunicar uma certeza mais forte que a nsia, que leva o homem  libertao e  verdadeira humanidade, porque fundada na 
convico de estar em comunho com Deus vivo e triunfador da morte. Nisto consiste a relevante contribuio prtica da f crist para a humanizao do homem.  




       DESENVOLVA UM RESUMO CRITICO DESTE ASSUNTO, APRESENTANDO UMA ABORDAGEM BIBLICA TEOLOGICA DO HOMEM EM RELAO A RELIGIO.
